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A importância da inteligência emocional para médicos

Quer entender por que cenas icônicas da sua série médica favorita falam muito sobre inteligência emocional? Confira no artigo!

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Futuros médicos costumam ser os maiores fãs das séries que têm a Medicina no centro da narrativa - muitas opções regadas a bastante drama. Então, vamos falar a real: sabe aquele personagem que você olha e percebe que ele não deveria ser médico? Ou aquela situação de estresse pós-traumático que a cirurgiã-chefe consegue superar com muito esforço?

Pois bem! Essas situações apresentam, respectivamente, a falta e a presença de inteligência emocional, e você logo vai entender o porquê.

O que é inteligência emocional?

Inteligência emocional (IE) é um conceito que foi popularizado pelo psicólogo Daniel Goleman e que está vinculado às soft skills. São as habilidades que podemos desenvolver para trabalharmos melhor, mas que não são técnicas.

Apesar de ser vista como contraponto da inteligência cognitiva (QI), a IE é, na verdade, seu complemento. Em um ambiente no qual todos são estudantes excelentes com 100% de aproveitamento em provas e simulados, os holofotes recaem sobre aquele que se comunica melhor, tem mais empatia e/ou é mais autoconfiante.

Todas essas qualidades são aspectos da inteligência emocional somados às capacidades de assimilar e compreender as próprias emoções. Adiante, você perceberá com mais facilidade como ela é fundamental para o exercício da medicina humanizada.

Isso porque outros dois profissionais da psicologia expandiram o conceito anos depois ao dividi-lo em cinco aptidões diferentes. E é sobre cada uma delas que falaremos nas próximas linhas.

Leia também: Conheça as soft skills mais importantes para o estudante de Medicina

Autoconsciência

Reconhecer as próprias emoções é uma habilidade da inteligência emocional e diz respeito ao nível de autoconsciência. Somente é possível desenvolver tal capacidade por meio do autoconhecimento, para o qual existem algumas técnicas.

Uma delas é a meditação. Embora pareça que não estamos fazendo nada, meditar é praticar a atenção plena, concentrando-se na própria respiração, nos movimentos do seu corpo e tudo mais que normalmente fazemos sem pensar.

Meditar é uma boa ferramenta para alcançar a autoconsciência da inteligência emocional.

Focar nesses pontos específicos também é uma forma de estar concentrado no presente, o que ajuda a nos conhecermos melhor, pois impede que nossa mente divague em nostalgias ou arrependimentos do passado e/ou em planos do futuro.

Outra possibilidade é refletir voluntariamente sobre si mesmo, buscando reconhecer seu estado de espírito “de fora”, como um analista. Assim, fica mais fácil descobrir as razões por trás de nossos sentimentos, pensamentos e ações.

O processo de adquirir autoconsciência é um caminho para descobrir suas limitações e como melhorá-las; seus pontos fortes e recompensas; e quais emoções atrapalham seu raciocínio, por exemplo, ao atender um paciente cujo comportamento fere seus princípios morais.

Autorregulação

Depois de reconhecer as próprias emoções, vem a etapa de gerenciá-las por meio da autorregulação. Não é sobre não sentir, sufocar ou ignorar os sentimentos que certas situações lhe despertam, mas sobre saber como agir na hora que eles aparecerem.

Esta soft skill é melhor explicada pela expressão “ter domínio de si”, para que suas ações sejam pensadas - e não impulsivas. Ou seja, embora suas emoções estejam gritando em um timbre de urgência, a autorregulação consegue captar o som e convertê-lo em uma melodia mais harmônica - benéfica para você e para os outros.

Autorregular-se também está relacionado à atitudes proporcionais. Quem já viu alguém explodindo ou fazendo "tempestade em copo d’água" sabe do que estamos falando. Imagine quão ruim isso pode ser em um ambiente hospitalar, com pacientes em situações vulneráveis.

Segundo uma pesquisa realizada realizada pelo Medscape, as taxas de Burnout, depressão e suicídio aumentaram em 2021 no Brasil. O acompanhamento especializado com psicólogo e/ou psiquiatra também contribui para o desenvolvimento da inteligência emocional, neste e nos demais âmbitos que abordaremos a seguir.

                             

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Automotivação

Esta aptidão da inteligência emocional diz respeito à energia que direcionamos para determinado fim. A automotivação para médicos é fundamental para que os percalços do tratamento de seus pacientes não prejudiquem sua vontade de prosseguir trabalhando na área.

Além disso, a automotivação também é útil quando seus próprios erros interferem no resultado de um diagnóstico ou de uma cirurgia, por exemplo. É importante não deixar que eventos negativos causem um desequilíbrio grande em sua autoconfiança como profissional.

Sem falar que, após os seis anos da graduação, ainda há um longo período de formação médica pela frente para aqueles que desejam se tornar especialistas. A automotivação faz com que o processo, marcado por provas de seleção e plantões pesados, seja mais tranquilo pela sua capacidade de manter perspectivas mais otimistas.

Empatia

Poucas especialidades médicas podem se abster do trabalho de construir uma relação médico-paciente saudável. É o caso dos especialistas em patologias que atuam nos bastidores dos laboratórios e dos legistas, por exemplo.

Para ser um bom médico é preciso saber relacionar-se bem com pessoas, sendo a empatia a virtude mais importante. Ser empático é conseguir se identificar e sofrer com a dor do outro, mesmo se você nunca passou por algo parecido.

Em geral, os pacientes buscam na Medicina um alívio para suas dores, soluções e cuidados atenciosos. Mas não é possível oferecer isso em um nível humanizado quando o médico trabalha apenas pelo status da profissão ou pela remuneração.

Inclusive, a habilidade de ouvir e sentir as queixas das pessoas pode ser benéfico para um diagnóstico mais assertivo e personalizado. Sua análise vai sair do óbvio trazido pelos livros e se aprofundar em suas próprias experiências e histórias que já ouviu sobre casos parecidos.

Por fim, ser empático na hora de dar más notícias é o mínimo que se espera de sensibilidade de bons médicos. Não à toa, existe o protocolo SPIKES, um guia de como transmitir a informação da forma menos traumática possível.

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Habilidades sociais

Para finalizar, continuaremos na ideia de transcender o autoconhecimento. A última aptidão da inteligência emocional que ajuda médicos a atenderem melhor refere-se às habilidades sociais.

Mesmo o profissional mais introspectivo vai precisar trabalhar em equipe em diversos momentos de sua formação médica. Seja durante o ciclo da clínica-escola, no internato ou na residência, não há escapatória.

Médicos precisam desenvolver empatia para praticar uma medicina humanizada.

“Mas o que é considerado como uma habilidade social?” Bom, podemos citar, por exemplo, a diplomacia, a comunicação não-violenta e a tolerância, que devem ser bússolas para evitar mal-entendidos. Além disso, quem se mantém no mercado sozinho? É por isso que sempre reforçamos a importância do networking desde os primeiros períodos do curso de Medicina.

Em suma, esta parte da inteligência emocional faz toda a diferença tanto para quem quer empreender quanto para quem quer ser professor após a especialização.

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