5 vantagens e desvantagens de fazer Medicina na Argentina ou no Paraguai
Fazer Medicina na Argentina ou no Paraguai pode parecer uma boa opção por vários motivos. Descubra quais são eles e porque você precisa pensar duas vezes antes de tomar essa decisão.

Fazer Medicina no Paraguai ou na Argentina pode parecer uma opção tentadora a princípio por vários motivos, como a ausência de vestibular em ambos os países ou a experiência de estudar e morar no exterior. Todavia, há também vários desafios em relação à qualidade irregular do ensino e o retorno ao mercado de trabalho brasileiro, que costumam transformar esse sonho em um verdadeiro pesadelo.
Se o seu objetivo é se formar com um diploma reconhecido e já sair da faculdade com o CRM em mãos, estudar em uma universidade brasileira de excelência pode ser o caminho mais seguro e vantajoso. Cabe a você entender o que é mais importante a longo prazo. Continue a leitura e descubra 5 vantagens e desvantagens de iniciar sua carreira médica fora do Brasil.
1. Faculdade sem vestibular e sem mensalidade
Na Argentina, as universidades públicas não cobram mensalidades e dispensam vestibulares, garantindo acesso livre ao ensino superior. Esse modelo existe porque o país adota o princípio da educação como direito universal, priorizando a inclusão em vez de processos seletivos.
Há somente um ciclo básico (CBC), por exemplo, na Universidade de Buenos Aires, que serve para nivelar conhecimentos dos candidatos em cursos concorridos, como é o caso da Medicina. Além disso, uma proposta recente ameaça acabar com a gratuidade para estrangeiros sem documento argentino, o que pode afetar milhares de estudantes brasileiros que estudam no país hoje.
Já no Paraguai, as instituições públicas são gratuitas apenas para paraguaios, excluindo os estudantes brasileiros, que precisam arcar com as mensalidades. Mesmo assim, os valores são significativamente reduzidos em relação ao Brasil, variando entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por mês nos anos iniciais da graduação.
Lá também não existe vestibular. Mas, como as vagas são limitadas, é necessário realizar a sua inscrição com antecedência, e algumas instituições de ensino exigem a apresentação de um certificado de proficiência em espanhol, que é o idioma oficial do país.
Essas duas vantagens pesam muito para os brasileiros que escolhem estudar no exterior, pois a realidade aqui é bastante diferente. A alta concorrência do curso de Medicina no Brasil, que chega a 258 candidatos por vaga, acaba empurrando muitos estudantes para cursinhos pré-vestibular todos os anos.
2. Custo de vida elevado
A Argentina enfrenta uma grave crise econômica, com inflação muito elevada, sendo um exemplo o aumento de 285% a 309% nos aluguéis em 2023. Após o fim da lei que regulamentava os contratos, os proprietários têm permissão para ajustar livremente os valores e até cobrar em dólar, agravando a pressão sobre os inquilinos.
Tal situação está fazendo muitos brasileiros imigrarem para o Paraguai, onde o custo de vida foi considerado o menor da América do Sul em 2024. No entanto, nas cidades em que se encontram as melhores universidades paraguaias, como na capital Assunção e sua região metropolitana, o custo de vida pode ser mais elevado.
Nesse sentido, permanecer no Brasil pode ser mais vantajoso, principalmente para quem escolhe estudar em uma instituição no interior do país. Isso porque os custos com moradia e transporte são significativamente menores, e há menor concorrência tanto para o vestibular quanto para concorrer a uma bolsa de 50% ou 100% pelo Prouni.
Sem falar que o financiamento facilitado pelo Fies e por instituições financeiras que proporcionam condições especiais de pagamento aqui no Brasil. Assim, o investimento inicial na carreira médica é reduzido temporariamente.


3. Qualidade do ensino questionável
Os cursos de Medicina no Paraguai são mais acessíveis, porém, menos estruturados que os brasileiros. Enquanto no Brasil o MEC exige padrões rígidos de qualidade, com clínicas-escola bem equipadas, muitas faculdades paraguaias têm infraestrutura limitada e carga prática reduzida.
Já os cursos de Medicina na Argentina possuem boa reputação internacional, com universidades públicas gratuitas e tradição acadêmica. A qualidade fica aquém em comparação às faculdades brasileiras por ter uma abordagem mais globalizada, que não dá o preparo ideal para quem deseja atuar no SUS posteriormente.
Caso escolha estudar em uma das mais de 30 unidades da Afya, a qualidade do ensino e imersão no sistema de saúde brasileiro não será uma preocupação. Todas elas oferecem metodologias ativas inovadoras e grade curricular integrada, com professores especialistas e aulas 100% em português, eliminando barreiras linguísticas.
A abordagem prática e atualizada é focada nas necessidades do mercado médico brasileiro, proporcionando formação de qualidade sem os desafios de adaptação a outros idiomas ou sistemas de ensino. Ou seja, tudo minuciosamente pensado para quem busca excelência acadêmica com eficiência.
4. Vivência cultural e linguística diversa
Morar e estudar em outro país é uma experiência transformadora, que amplia horizontes culturais e acadêmicos. Tanto o contato com novas metodologias de ensino e sistemas de saúde diferentes quanto a convivência com os costumes de outro povo trarão muitas oportunidades de crescimento pessoal e profissional para sua vida.
Outra vantagem é que você vai se tornar fluente em espanhol, o que pode ser um diferencial valioso para quando estiver trabalhando no Brasil. Afinal, o SUS é para todos mesmo – incluindo imigrantes e turistas de qualquer nacionalidade. Além disso, a fluência em outro idioma facilita o acesso a pesquisas internacionais, congressos e especializações no exterior.
5. Necessidade de fazer o Revalida para atuar no Brasil
Estudantes que cursam Medicina no exterior precisam realizar o Revalida para que seus diplomas sejam reconhecidos no Brasil. Isso acontece porque o êxito na prova é uma forma de garantir que sua formação atenda aos padrões do Ministério da Educação (MEC).
O problema é que, nos últimos anos, as taxas de aprovação têm sido baixas — em 2024, apenas 26,85% dos candidatos passaram na prova, evidenciando as disparidades entre os ensinos superiores de cada país. Assim, sua carreira pode sofrer anos de atraso. Sem Revalida significa sem CRM e, portanto, sem permissão para atuar legalmente no país.
Em contrapartida, os alunos de universidades brasileiras saem da graduação com o CRM em mãos. Essa vantagem torna a formação nacional uma alternativa mais sólida para o futuro de quem planeja construir carreira no SUS ou na rede suplementar do país.
Se você já iniciou o curso em outro país e quer voltar para o Brasil, pode pedir transferência externa e ainda aproveitar a isenção das mensalidades em até 4 disciplinas. Saiba mais sobre essa oportunidade aqui!

