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Como agir em um caso de evento com múltiplas vítimas

Protocolos de triagem para eventos com múltiplas vítimas, como o START, foram criados para evitar o colapso do sistema de Saúde. Veja como isso funciona!

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minutos de leitura

Desastres naturais, consequentes ou não da ação humana, incêndios e acidentes envolvendo veículos de transporte coletivo são as principais causas de incidentes com múltiplas vítimas (IMV). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tais eventos podem ser assim definidos quando acometem simultaneamente uma quantidade de pessoas capaz de comprometer a capacidade de resposta local disponível para rotina.

Esse cenário é especialmente importante de ser avaliado, pois não é raro acontecer o colapso da cadeia de socorro. Ou seja, desde o atendimento pré-hospitalar, responsável por deslocar as vítimas até a unidade de saúde mais próxima, e que tenha a estrutura necessária à situação.

Nesse sentido, para evitar que tanto os recursos materiais quanto os humanos sejam insuficientes, foram criados os protocolos de triagem de incidentes. A partir daí, tornou-se possível priorizar o atendimento a pacientes que correm maior risco de vida e que ainda assim são viáveis. No artigo de hoje, nós vamos apresentar um dos protocolos mais utilizados no mundo. Confira!

Protocolo START

START é a sigla para Simple Triage and Rapid Treatment. Em português, a tradução significa: triagem simples e tratamento simplificado. Com este protocolo, os profissionais da saúde conseguem classificar um grande número de vítimas de acordo com quatro cores:

  • Vermelho: vítimas graves, porém com chances de sobreviver se receberem tratamento rápido.
  • Amarelo: vítimas que podem aguardar até 1 hora para receber tratamento.
  • Verde: vítimas com ferimentos leves, com capacidade de deambulação preservada e que podem até ajudar no manejo dos outros.
  • Preto (ou cinza): vítimas em parada cardiorrespiratória. Inviáveis.

Como a classificação é feita

Primeiro, são avaliados os seguintes critérios: deambulação, que é determinada pela capacidade de o paciente andar pelo menos três metros com supervisão ou assistência; respiração, após a abertura de vias aéreas; pulso e enchimento capilar; e nível de consciência.

Neste caso, a ordem em que listamos cada um tem um propósito. Se um paciente deambula, ele é automaticamente classificado como verde. Em caso negativo, segue-se para as próximas etapas.

Está respirando? Caso não, a vítima é classificada como preto. Mas se a frequência respiratória (FR) estiver maior que 30 irpm, ela deve receber um marcador vermelho. Por fim, quando FR < 30, segue-se adiante.

Para que a vítima seja classificada como vermelho, seu pulso e enchimento capilar devem estar maiores que dois segundos ou com pulso radial ausente. Para prosseguir, o enchimento capilar deve ser ≤ dois segundos ou deve apresentar pulso radial presente.

Chegamos ao último critério: nível de consciência: Se inconsciente ou incapaz de responder a perguntas simples, classificar como vermelho. Caso o paciente seja capaz de responder e de realizar perguntas e comandos simples, recebe um marcador amarelo.

Em suma, as vítimas classificadas como vermelho devem ser as primeiras a serem atendidas e removidas para, então, seguir com aquelas classificadas como amarelo. As vítimas classificadas como preto devem receber atendimento somente depois de as demandas dos dois primeiros grupos terem sido sanadas. Isso porque elas necessitarão de intervenções que demandam mais tempo e têm menor chance de sobrevida.

Todavia, vale destacar que o protocolo STAR é dinâmico. Ou seja, a classificação de um ou mais pacientes pode variar ao longo do atendimento.

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