Mulher em Pauta: quando a mulher passou a ser coadjuvante do parto?
Mas como pode ser a mulher coadjuvante do parto – um momento que deveria ser único e de extrema conexão com o seu corpo e o bebê? Leia sobre a evolução partos ao longo dos anos e como funciona o parto humanizado.
Os anos passam rapidamente, e junto às tecnologias, a Medicina vem evoluindo cada vez mais. Procedimentos que antes eram realizados em casa e sem nenhum acompanhamento médico, passaram a ser feitos com o auxílio de profissionais altamente qualificados.
Com o passar do tempo e todos os aparatos de um hospital, muitas vezes o parto passou a ser feito de uma maneira mais metódica – quase cirúrgica. As mães não tinham tanto contato e participação com este momento, de modo que a mulher passou a ser coadjuvante do parto.
Mas como pode ser a mulher coadjuvante do parto – um momento que deveria ser único e de extrema conexão com o seu corpo e o bebê?
Foi neste contexto que foram crescendo os discursos e desenvolvidas maneiras que permitissem a mulher voltar a ser a protagonista do parto e uma delas é o parto humanizado. Quer saber mais sobre o tema? Continue a sua leitura!
Qual é o panorama sobre a evolução dos partos ao longo dos anos e como estão sendo feitos hoje?
Ao longo da história da Ginecologia, para a segurança, tanto das mães como dos bebês, a assistência do parto passou por transformações que são necessárias para o bem-estar de ambos.
Antes, as mulheres de maneira geral tinham os seus filhos em casa. Tudo acontecia no seio familiar e elas eram assistidas por outras mulheres, que eram chamadas de parteiras.
Com o surgimento da medicalização e com os avanços da Medicina, o procedimento passou a ser realizado em instituições de saúde. Tudo isso foi fruto das inovações e de construções de políticas públicas que auxiliam as mulheres, visando melhorar a qualidade na assistência a todo o processo do parto.
As mulheres que não conseguem, por algum motivo, ter um parto natural são direcionadas para fazer uma cesariana. Pode-se ainda dizer que nos dias atuais privilegia-se a segurança, tanto da mamãe como do bebê. Por outro lado, são usadas toda a tecnologia e todo conhecimento médico-científico, para que o resultado materno-fetal seja um sucesso.
No entanto, o que por um lado, trouxe mais segurança passou também a reduzir o contato e a participação ativa das mães no processo, tornando a mulher coadjuvante do parto, em vez de protagonista.
Por isso, em conjunto com toda a evolução técnica e tecnológica, é necessário levar em consideração a protagonista do parto, de modo que todos os tipos de procedimento sejam o mais humanos possível. Assim as mães são mais estimuladas a participar de todo o processo, o que diz muito sobre a mudança no conceito de relacionamento entre médico e paciente.
Como surgiu o conceito de parto humanizado?
Em meados dos anos 1990 no Rio de Janeiro foi feita a implementação da primeira maternidade humanizada do país. O nome da maternidade escolhido foi Leila Diniz. No ano de 1994, essa maternidade foi considerada a pioneira.
Isso tudo está relacionado as suas concepções e práticas, sem o uso de medicamentos e com a inclusão de enfermeiras obstétricas para realizarem a assistência ao parto.
No município do Rio de Janeiro, a partir do ano de 1992, houve a articulação entre a Secretaria Municipal de Saúde e as escolas que aplicavam cursos de enfermagem obstétrica, e esse foi um marco muito importante para a área da humanização dos partos.
Desde então teses sobre o parto humanizado vêm sendo desenvolvidas para que a mulher deixe de ser coadjuvante do parto. Essa técnica é cada dia mais bem recebida e aceita pelos programas de saúde brasileiros.
Como o parto humanizado funciona?
O procedimento do parto humanizado é sustentado por três pilares principais. Entre eles Podemos citar:
- é dado o protagonismo do parto à própria mulher;
- são considerados os aspectos sociais, os biológicos, os culturais e inclusive os emocionais;
- são usadas evidências científicas como base.
Todo o processo do parto humanizado, já pode ser iniciado no pré-natal indo até o pós-parto. Nesse tipo de parto as mães podem escolher:
- a posição que desejam ter o seu filho;
- onde vai acontecer o seu parto;
- se vai fazer o uso de anestesia ou não;
- a luz do local;
- se será cesárea ou não.
Outras peculiaridades que também podem ser citados são:
- o contato pele a pele da mãe com o recém-nascido deve ser garantido, tanto no parto normal quanto na cesariana;
- o bebê já pode iniciar a amamentação logo que nasce;
- o corte do cordão umbilical deve ser feito apenas quando pararem as pulsações - de 1 a 3 minutos após o nascimento;
- a realização dos procedimentos de rotina no bebê podem ser feitos após a primeira hora de vida, que são o pesar, medir e vacinar.
A gestante tem o direito de escolher uma equipe de profissionais que vai lhe atender e que trabalhe de acordo com o combinado. Além disso, o médico e a sua equipe vão interferir apenas se ocorrer algum problema. Não existe pressão para acelerar o parto do bebê são buscadas maneiras de diminuir a dor e as contrações.
Dessa forma, pode-se dizer que o parto humanizado não é apenas um tipo de parto, mas ele está inteiramente relacionado, à assistência que será prestada à mulher e ao seu bebê.
Quando há violência obstétrica?
Quando falamos de parto humanizado, todas as vontades da mulher – desde que não comprometam a sua segurança ou a do bebê – devem ser respeitadas. Procedimentos invasivos e que são desnecessários não são realizados, como, por exemplo:
- cesarianas realizadas sem que haja necessidade;
- episiotomia que é o corte na vagina;
- exigência de depilação no pré-parto;
- necessidade de jejum;
- realização de lavagem intestinal.
Todos esses procedimentos, se não forem necessários podem e são considerados violência obstétrica.
Como é a assistência ao parto no SUS?
Todas as maternidades que estão ligadas a gestão municipal, no Brasil, seguem as diretrizes da Rede Cegonha. Ela foi instituída pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e serve especialmente para a realização do parto humanizado.
Tal rede funciona como uma estratégia do Ministério da Saúde (MS), que visa assegurar a todas às mulheres o direito a fazer um planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao seu parto e ao puerpério.
Também assegura o direito das crianças de terem um nascimento, crescimento e desenvolvimento que seja seguro e saudável.
Então, ainda que ocorram problemas clínicos, que estejam relacionados as mães e aos bebês, o atendimento deve ser o mais humano possível. No entanto, se houverem situações em que a gestação é de risco, para que a mãe possa escolher a forma mais segura, ela deve ser orientada pelo seu médico.
Agora você já conhece as mudanças nos procedimentos para um parto mais humano
Caso você seja estudante de Medicina e a área da saúde da mulher te interesse, se aprofundar no tema mulher coadjuvante do parto pode ser uma boa opção. Existem cursos sobre o parto humanizado que podem ser realizados em instituições conhecidas.
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